quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Galera, recebi este do meu amigo Evandro, muito bom!

NEM JESUS AGUENTARIA SER PROFESSOR...
Muito bem bolado



O Sermão da montanha (*versão para educadores*)

Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado
sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se
aproximassem.

Ele os preparava para serem os educadores capazes de transmitir a lição da
Boa Nova a todos os homens.

Tomando a palavra, disse-lhes:
- Em verdade, em verdade vos digo:
- Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.
- Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
- Felizes os misericordiosos, porque eles...?

Pedro o interrompeu:
- Mestre, vamos ter que saber isso de cor?

André perguntou:
- É pra copiar?

Filipe lamentou-se:
- Esqueci meu papiro!

Bartolomeu quis saber:
- Vai cair na prova?

João levantou a mão:
- Posso ir ao banheiro?

Judas Iscariotes resmungou:
- O que é que a gente vai ganhar com isso?

Judas Tadeu defendeu-se:
- Foi o outro Judas que perguntou!

Tomé questionou:
- Tem uma fórmula pra provar que isso tá certo?

Tiago Maior indagou:
- Vai valer nota?

Tiago Menor reclamou:
- Não ouvi nada, com esse grandão na minha frente.

Simão Zelote gritou, nervoso:
- Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!?

Mateus queixou-se:
- Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!

Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado
nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:
- Isso que o senhor está fazendo é uma aula?
- Onde está o seu plano de curso e a avaliação diagnóstica?
- Quais são os objetivos gerais e específicos?
- Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios?

Caifás emendou:
- Fez uma programação que inclua os temas transversais e atividades
integradoras com outras disciplinas?
- E os espaços para incluir os parâmetros curriculares gerais?
- Elaborou os conteúdos conceituais, processuais e atitudinais?

Pilatos, sentado lá no fundão, disse a Jesus:
- Quero ver as avaliações da primeira, segunda e terceira etapas e
reservo-me o direito de, ao final, aumentar as notas dos seus discípulos
para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade.
- Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do
nosso projeto.
- E vê lá se não vai reprovar alguém!

E, foi nesse momento que Jesus disse:
"Senhor, por que me abandonastes..."

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A crise europeia não é econômica, é ÉTICA


Muito está se falando da crise na UE. Hoje inclusive, quebrou mais um banco (esta frase pode ser lida daqui a 20 anos e será atual). Inusitadamente a crise “começou” na Grécia. Considerado um dos países mais pobres da UE, a Grécia é o berço da Filosofia e da Política Ocidental. Foram também os gregos clássicos que mais refletiram sobre a conduta humana, o “ethos”, dando origem a imortal disciplina filosófica: a ética.
Parece estranho que um país tão importante culturalmente seja avaliado por algumas agências econômicas como um país de risco. Para nós brasileiros (estou arriscando-me ao afirmar isto) a Grécia lembra cruzeiro, história e incêndio florestal em determinadas épocas do ano. Por isto parece estranho, que um país cuja indústria e comércio nos são desconhecidas (com exceção ao turismo, claro) seja o pivô de um Tsunami econômico, deverás mundial (que o Lula não leia o blog).
Mas é claro, mesmo com todo legado cultural que a Grécia nos deu, de nada adianta a sua cultura sem uma economia sólida. O mundo globalizado reconhece apenas cifrões, não reconhece cultura e muito menos direitos. A sociedade pós-industrial e de consumo em que vivemos, desconhece o que é jus naturale. E a Europa, que por séculos construiu o edifício do Direito Natural, fê-lo desabar no século XIX e XX com o imperialismo e duas guerras. Não podemos afirmar que em algum momento houve de fato respeito aos direitos naturais da humanidade. No entanto, o que vemos hoje é a velha Europa, mais uma vez abrindo mão da humanidade em nome de um sistema econômico carcomido por sua própria ferrugem.
O continente que inventou o capitalismo e também o socialismo se encontra novamente com o passado inglório, à beira de colapsos sociais, marcado pela xenofobia e endividado com o mundo. Durante mais de três séculos emprestamos (involuntariamente) ouro, prata e todo tipo de riquezas minerais e vegetais, e mesmo assim a Europa vive o risco de colapsar a economia mundial. Atormentados com uma cegueira que somente as joias podem gerar, eles estão inclinados a entregar os dedos e ficar com os anéis. Os governos pressionados por mecanismos financeiros internacionais a quem desde o tratado de Breton Woods são subservientes, pretendem abrir mão das conquistas da Democracia Social em prol da ajuda a alguns bancos. Ou seja, a crise europeia é uma crise de valores. Não valores financeiros, mas valores morais. A Europa que sempre se intrigou com o individualismo estadunidense, que se rendeu algumas vezes a embriaguez do nacionalismo, hoje se percebe desamparada, pedindo ajuda para os emergentes. É análoga a uma velha viúva que mesmo explorando seus filhos durante a vida toda se encontra pobre na velhice e lhes pede socorro.
Enquanto os governantes procuram medidas impopulares para sanar as contas, aumentando impostos e reduzindo benefícios, diminuindo ainda mais os compromisso de um Estado de bem estar social, aumentam a dívida de seus Estados ajudando bancos e investidores que nada mais são que uma elite de agiotas, usurários, vendedores de tempo, que não geram nada, não trabalham e sequer se comprometem com quem negociam. Faltam princípios morais aos nossos governantes!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Malthus tinha razão?

Não, não quero ressuscitar a tão fracassada teoria malthusiana. Mesmo porque meus professores socialistas detentores de toda racionalidade científica já espezinharam o suficiente em cima do finado Malthus. Porém me assusta o relatório da ONU que prevê inflação no preço dos alimentos. A matemática para isto é fácil: o aumento considerável de catástrofes ambientais em regiões produtoras de alimentos, o aumento do consumo de alimentos em países emergentes e a expansão demográfica. É tão simples que parece uma explicação superficial, mas não é.


Voltemos ao Malthus: quando ele publicou “Ensaios sobre o princípio da população” em 1798 a Inglaterra vivia sua primeira explosão demográfica pós-revolução industrial. Neste contexto houve uma grande inflação de alimentos que levou Malthus a entender que a produção agrícola crescia em proporções aritméticas enquanto a população humana se reproduzia em escala geométrica. Em fins do século XVIII a agricultura era rudimentar, a produção era baseada puramente em mão de obra, boa parte escrava. Gêneros alimentícios não eram lucrativos com raras exceções, como o açúcar (se é que açúcar em si é alimento). O regime alimentar também era outro, carne, por exemplo, era algo raro na maioria das mesas. Muitas terras da Inglaterra antes destinadas à lavoura comunal se tornaram pastagens para ovelhas produtoras de lã. O encarecimento dos alimentos fez com que o pastor Malthus defendesse uma política de controle populacional estimando a falta de alimentos. A expansão colonial do século XIX fez com que a Inglaterra obtivesse o controle de grande parte da Ásia e África e salvou os ingleses de uma grave crise alimentar, veja bem, salvou os ingleses, já que o continente africano ainda é o continente da fome no mundo.

Se a expansão colonial salvou a Europa da fome no século XIX o mesmo não se pode afirmar sobre o século XX. Violentada por duas guerras mundiais, a população europeia conheceu ciclos de fome e miséria. Reerguendo-se dos escombros, os Estados europeus desenvolveram políticas agrícolas planificadas, mesmo os mais liberais, como os ingleses. Este controle estatal do setor agrícola através de subsídios, incentivos econômicos e tecnológicos deu origem a “Revolução Verde” da década de 60. Esta revolução conheceu a profunda mecanização da agricultura, a utilização de defensivos e fertilizantes sintéticos, e o aprimoramento de sementes com o auxílio de genética. A agricultura antes entendida como vocação de países coloniais passou a ser foco da economia internacional, surgiram as expressões “agronegócio”, “mercado de futuros”, e o que antes era só alimento hoje é “commodities”. Surgem multinacionais do “agribusiness” especializadas não só em negociar e cotar internacionalmente os produtos agrícolas – afinal isto acontece desde o período colonial – mas também em melhorar a produção e até mesmo produzir em diversos países nos moldes das corporações industriais.

Toda esta revolução agrícola do século passado barateou os alimentos e trouxe uma profunda revolução alimentar para a população dos países ricos e emergentes, mas não acabou com a fome. Se falarmos de Brasil as alterações alimentares foram profundas. Se você perguntar a quem tem mais de sessenta anos como era a alimentação quando ele era criança certamente você ouvirá coisas do tipo: “Frango era comida de domingo”, “carne bovina se comia só em festa de Igreja ou casamento”, “dia de semana comíamos pirão com linguiça” e por aí vai. O acesso á um regime alimentar mais proteico aconteceu graças ao aumento da produção de gado e mesmo ao melhoramento genético dos rebanhos. A expansão dos “fast-foods” é outro emblema da revolução alimentar. Comida barata e abundante no Brasil não é somente uma conquista da estabilidade econômica e de programas de governo, é também uma profunda transformação no modo de produção agrícola. Resumindo: o melhoramento tecnológico na agricultura gerou uma “mais-valia” que fugiu da mão dos produtores para a mão dos consumidores. Alimento mais barato gerou um maior consumo e também um maior desperdício, sem falar nas epidemias de obesidade em países como os EUA e o Brasil.

Quando a ONU alerta para um inflação no preço dos alimentos, ela o faz baseada nas estimativas dos estoques de grãos dos países produtores. Em suma, o estoque de milho e soja estão muito baixos e isto fara estas duas “commodities” possivelmente subirem muito de preço este ano, consequentemente a carne estará mais cara e por fim o custo de vida também. Se combinarmos isto tudo a uma alta no preço do petróleo, teremos ainda um aumento no custo de produção o que significa uma diluição dos lucros do produtor rural. Concordo com os economistas que afirmam que o Brasil tem tudo para se sair muito bem desta situação, mas confesso que sou bastante cético à realização disto. Infelizmente a produção agrícola brasileira não é organizada como deveria e poderia ser. O Estado brasileiro não só é desorganizado com relação a agricultura brasileira como parece se beneficiar desta desorganização. Os pequenos e médios produtores não são preparados para encarar o livre mercado e a quase uma década plantar soja, milho, feijão, arroz é sempre um investimento de alto risco. A dívida agrícola segue em alta, tanto para custeio quanto para renegociação. O governo promete emprestar 100 bilhões de reais, um aumento de 8% em relação a safra passada. Enquanto o governo acredita que auxiliar o setor agrícola é simplesmente emprestar dinheiro, a má qualidade técnica empregada na produção e transporte consome grande parte do valor de nosso produto. Se não houver uma reorganização agrícola no país com incentivos para preservação ambiental e uso avançado de tecnologias de produção e transporte, o setor agrícola brasileiro ficará refém da especulação internacional e o que veremos não será apenas uma oportunidade de negócio passando, mas sim, um dos maiores produtores agrícolas do mundo vítima de uma onda inflacionária na produção de alimentos. Todos perderão e Malthus terá razão!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Estado de Direito e Democracia

Algumas verdades da sociedade moderna são tidas como incontestáveis. Como toda boa verdade, são frutos de pensamento doutrinário e de algum tipo de coerção (não esqueçamos que se a língua é uma espada, um discurso pode muito bem ser um arsenal de guerra muito poderoso). Com a queda dos regimes totalitários na década de quarenta e com o fim da desastrosa experiência socialista na década de 90, nos acostumamos a crer que a única alternativa de sociedade possível é este modelo de democracia liberal.
E aí vem uma associação que teóricamente me parece contraditória, mas que como toda boa contradição, recebeu uma veracidade doutrinária. Questionar o valor ou a legitimidade da democracia é algo impensável nos dias de hoje. A democracia é uma verdade moderna tão poderosa que em alguns Estados ela é entendida como dogma. Para quem não lembra, uma das melhores definições para dogma é "verdade incontestável". Porém vem da própria teologia a solução para esta questão: a verdade do dogma pode ser incontestável, mas a sua interpretação não. Isto equivale a dizer que a democracia, como toda a verdade e como todo dogma, foge a uma definição, ganha portanto o status de símbolo. Veja bem, não estou afirmando categoricamente que a democracia é uma verdade simbólica, mas sim que, ao assumir o status de verdade acabada e dominante ela se torna um símbolo passível de novas significações. E não estou nem mesmo me referindo a verdade (Democracia) "pró-forma" de alguns Estados.
Vamos partir de nosso ponto de vista. O Brasil (E aqui hesitei bastante em publicar este meu artigo em função do ano eleitoral que vivemos) vive, talvez, o mais longo período "democrático" de sua história. Ultrapassamos a marca de vinte anos com eleições em regime livre, constitucional e dentro do que se chama de "Estado de Direito". No entanto, é possivel afirmar que democraticamente estamos gatinhando. Veja bem, não vou cair em analagias precárias com as demais repúblicas do mundo, mesmo porque somos dignos de nossa história. Porém, a nossa democracia está ainda restrita as eleições e as pífias iniciativas públicas. Isto prova que a democracia "ampla e irrestrita" (anseio muito comum nas décadas de 70 e 80) está muito longe de acontecer e que ao mesmo tempo o Estado de Direito passou a ser sinônimo de Democracia, tornando assim o debate sobre a democracia como um caso encerrado na mídia.
Em ano eleitoral vale a pena lembrar: a democracia não termina do dia 31 de outubro e nem pode ser comemorada no dia 2 de novembro.

sábado, 31 de julho de 2010

Mais um blog de Filosofia

A revolução da comunicação iniciada por Johann Gutemberg no século XVI conheceu a sua fase mais transformadora à partir da década de 70 do século XX. Esta nova fase é a era digital. A era digital proporcionou também a democratização da comunicação, mostrando que o mundo pós-moderno é plural e ilimitado. A comunicação é mais uma vez o carro chefe da sociedade, a locomotiva dialética que impulsiona este trem sem trilhos.
O auvorecer do século XXI mostra que a era digital está longe de apresentar tudo o que pode. Orkut, Blog, Twitter... são alguns exemplos do que a comunicação no século XXI nos apresentou. O que mais pode vir?
A filosofia, como todo o conhecimento, que conheceu a origem da escrita, da imprensa, do rádio e da TV, conhece hoje o mundo sem fronteiras da "rede mundial de computadores".
Se apropriar de mais este meio, mais que uma facilidade ou inovação, é obrigação da filosofia.
Este blog pretende ser mais um veículo de reflexão e de aproximação na rede.
Até a próxima!